terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PSOL: Pré candidato a Presidência da República faz debate em Belém


Na próxima quarta-feira, 07/02/2018, o professor de economia da Unicamp e pré candidato a Presidência da República pelo PSOL, Plinio Jr., estará em Belém para debater com a militância e simpatizantes do partido a necessidade de a organização ter uma candidatura radical e coerente, longe do lulopetismo, que represente os anseios da classe trabalhadora, juventude e povo pobre.
O evento ocorrerá no auditório do Hotel Sagres, a partir das 18h. Todos e todas convidados!
Abaixo você lerá o Manifesto da pré candidatura do psolista.

É tempo de ser exigente, Plinio presidente!

A guerra aberta da burguesia contra os trabalhadores coloca o PSOL numa encruzilhada histórica. Após treze anos de existência, o partido tem de decidir se será apenas uma legenda eleitoral ou se terá coragem de disputar a consciência e os corações dos/as trabalhadores/as e colocar na ordem do dia a urgência da superação das relações sociais, políticas e culturais responsáveis pelas mazelas do povo, pelo machismo, pelo racismo, pela LGBTfobia e pela destruição da natureza.

A eleição é um momento importante de diálogo com os/as trabalhadores/as. A burguesia não perde tempo e procura por todos os meios enquadrar o debate nacional na agenda reacionária do ajuste econômico que vem sendo aplicado pelo governo de Michel Temer/Henrique Meirelles. Em nome dos imperativos dos negócios, coloca o rebaixamento progressivo das condições de vida das classes subalternas e o fim das liberdades democráticas como única solução para a grave crise que abala a vida nacional. A PEC 55 (que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais), a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização, a Reforma da Previdência e os ataques aos direitos das mulheres e da população LGBT, são algumas das medidas em curso que fazem parte da agenda de austeridade fiscal.

Para que nós não fiquemos condenados às escolhas da agenda reacionária, que se circunscreve à discussão do ritmo e da intensidade do ataque contra o povo, a esquerda socialista precisa entrar em campo. O tempo urge! Não podemos mais permanecer sem um/a candidato/a! Sob o risco de ser tragado pela crise política e moral que soterra o sistema político corrupto brasileiro e de ser confundido como linha auxiliar do PT, o PSOL está obrigado a apresentar-se na eleição de 2018 com personalidade própria. A grave crise econômica, social, política, moral e ecológica em curso não pode ser dissociada da estratégia catastrófica do PT na Presidência da República.

Ao trair os anseios populares de que a esperança venceria o medo, os governos de Lula e Dilma reproduziram as relações sociais e políticas responsáveis pela perpetuação da segregação social, da dependência externa e da destruição ambiental, o que fortaleceu o capitalismo brasileiro e abriu caminho para sua ofensiva atual. Em resposta à ofensiva do capital, os trabalhadores e trabalhadoras, com seus métodos de luta, entram em cena.

O maior exemplo foi a jornada de luta do primeiro semestre, que culminou com a greve geral do dia 28 de abril e a Marcha a Brasília com 150 mil pessoas. E os novos processos das lutas em curso demonstram que a força das bases tectônicas segue se movimentando. O desafio do PSOL é definir uma agenda, um programa e um candidato inequivocamente comprometido com uma alternativa socialista ao ajuste neoliberal e uma radicalização da democracia diante da crise da Nova República. Ao contrário do que ocorre nos partidos burgueses, imersos no cretinismo parlamentar, tais definições não podem ficar nas mãos de uma oligarquia dirigente.

Os militantes do partido não abrem mão de debater política e de dirigir os destinos do partido. A definição do conteúdo e da forma da candidatura à Presidência da República em 2018 deve ser adotada em fóruns democráticos, amplos, capazes de debater os problemas fundamentais dos/as trabalhadores/as e suas possíveis soluções. A agenda e o programa que apresentaremos à população brasileira devem ser a síntese desse debate. Entretanto, temos a convicção de que os seguintes eixos devem servir de referência para tais formulações:

> Rejeitar tanto as alternativas reacionárias e conservadoras quanto as apresentadas pelo PT e pelos demais partidos que deram sustentação aos governos de Lula e de Dilma. O “menos pior” não nos contempla e apenas pavimenta o caminho de novas derrotas.

> Dar conteúdo político à agenda de transformação social levantada pela juventude que protagonizou as Jornadas de Junho de 2013 – “direitos já”;

> Tirar suas consequências práticas inescapáveis – “fim dos privilégios do capital e das desigualdades sociais”. Lutar pela revogação de todas as leis promulgadas pelo governo Temer e contra toda as amarras econômicas que servem aos interesses do capital, a começar por desmontar o Sistema da Dívida Pública, que desvia boa parte dos recursos públicos para o bolso dos mais ricos.

> Rejeitar o grande acordo nacional que envolve o executivo, legislativo e o STF que tem o objetivo de salvar os corruptos e aplicar a agenda neoliberal, apostando na refundação da república com base no poder popular.

> Construir as condições necessárias para a formação de uma aliança política estratégica – que não pode se esgotar nas eleições de 2018 – com os partidos da esquerda socialista – PCB e PSTU –, bem como com os movimentos sociais combativos, que bravamente resistem ao avanço galopante da barbárie capitalista.

> Ser parte do apoio a todas as lutas e mobilizações em curso. É dentro dessa perspectiva que diversas organizações e militantes decidiram lançar a pré-candidatura de Plínio de Arruda Sampaio Jr. para a Presidência da República e conclamam os/as militantes do PSOL a lutar pela unidade da esquerda socialista em torno de uma alternativa radical para o Brasil.

Quem é Plínio?

Plínio de Arruda Sampaio Júnior é professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/UNICAMP). Com pesquisas na área de história econômica do Brasil e teoria do desenvolvimento, dedica-se ao estudo do impacto da globalização capitalista sobre a economia brasileira. Membro do conselho editorial de diversas revistas acadêmicas, entre as quais Novos Temas e Marxismo XXI, possui dezenas de artigos, publicados no Brasil e no exterior.

É autor de Entre a nação e a barbárie: dilemas do capitalismo dependente (Vozes, 1999) e de Crônica de uma crise anunciada: Crítica à economia política de Lula e Dilma (SG-Amarante, 2017); e organizador dos livros Capitalismo em crise: a natureza e dinâmica da crise econômica mundial (Sunderman, 2009); e Jornadas de Junho: a revolta popular em debate (ICP, 2014).

Filiado ao PT, participou da elaboração dos programas econômicos do partido até 1990, quando coordenou a elaboração do programa da candidatura de Plínio de Arruda Sampaio a governador de São Paulo. Nesse período, colaborou ativamente como assessor econômico da legenda, tendo sido o responsável pela crítica ao Plano Collor no programa nacional do PT.

Em 1991, muda-se para França em viagem de estudo, onde fica até 1994. Neste período, Plinio consolida sua visão crítica sobre a sociedade brasileira, afasta-se politicamente da direção do partido que acelerava sua guinada conservadora de acomodação à ordem e reforça sua convicção na organização popular como único meio de superar as mazelas do povo. De volta ao Brasil, passa a colaborar ativamente com os movimentos sociais, assessorando e organizando cursos de formação junto ao Movimento dos Sem Terra, Movimento dos Pequenos Agricultores, Movimento dos Atingidos por Barragens, Pastoral Operária, Grito dos Excluídos, Pastorais Sociais, Central dos Movimentos Populares e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

Em 2000 e 2002, participa ativamente das Campanhas pelo Plebiscito da Dívida Externa e pelo Plebiscito da Alca. Crítico dos rumos do governo Lula, foi um dos organizadores do Manifesto dos Economistas e do Tribunal Aberto em Defesa dos Radicais e um militante da campanha contra a Reforma da Previdência, tendo corrido o país afora debatendo com estudantes e trabalhadores os desvios neoliberais da gestão petista.

No Fórum Social Mundial de 2005, rompeu com o PT, junto com centenas de militantes históricos. No mesmo ano, ingressou no PSOL. Em 2010, colaborou ativamente com a campanha de Plínio de Arruda Sampaio para a Presidência da República. Nos últimos anos, tem se dedicado à tarefa de reorganização partidária da esquerda socialista.

Subscrevem a pré-candidatura para Presidente da República de Plínio Jr:
Luciana Genro – Fundadora do PSOL e candidata à Presidência da República em 2014 Babá – Fundador do PSOL Renato Cinco – Vereador PSOL Rio de Janeiro/RJ Roberto Robaina – Vereador PSOL Porto Alegre/RS Ricardo Antunes – Sociólogo e Professor da Unicamp Paulo Arantes – Filósofo e professor da USP Pedro Ruas – Deputado Estadual – Porto Alegre Alex Fraga – Vereador Porto Alegre – Porto Alegre Fernanda Melchionna – Vereadora Porto Alegre – Porto Alegre Fernanda Miranda – Vereadora Pelotas – Pelotas Sandro Pimentel – Vereador de Natal/ RN Robério Paulino – Professor da UFRN, ex-candidato à Prefeitura de Natal e ao Governo do RN Henrique Carneiro – Professor da USP/SP Jorge Luis Martins (Jorginho) Advogado – Franca/SP João Machado Borges Neto – Dirigente do PSOL – São Paulo/SP Silvia Santos – Coordenou a campanha de legalização do PSOL Carlos Gianazzi – Deputado Estadual PSOL/SP Sâmia Bonfim – Vereadora PSOL São Paulo/SP Álvaro Bianchi – Professor da Unicamp/SP Eric Toussaint – Membro do CADTM (Comitê para a Abolição das Dívidas Ilegítimas) Ruy Braga – Professor da USP/SP Rosi Messias – Executiva Nacional do PSOL Marino Mondek – Florianópolis/ SC Liliana Maiques – Tesoureira do PSOL Carioca e Setorial de mulheres do PSOL Aldo Santos – Presidente da Associação dos Professores de Filosofia do Brasil Bárbara Sinedino – Coordenadora Geral do SEPE/RJ Michel Lima – Diretório Nacional do PSOL Ana Carolina Andrade – Setorial de Mulheres do PSOL -São Paulo/SP Douglas Diniz – Diretório Nacional do PSOL Sônia Godeiro – Médica – Dirigente da Oposição SINDSAÚDE/RN Santino Arruda – Dirigente do SINAI-RN, Intersindical – Avançar PSOL/RN Silvana Soares de Assis – Oposição APEOESP – São Paulo/SP Tiago Mateus de Azevedo – Secretário Geral PSOL SC – Rio do Sul/SC Organizações: Alternativa Socialista Nova Práxis Coletivo do PSOL Governador Dix-Rosado (RN) Coletivo do PSOL Angicos (RN) Comuna Comunismo e Liberdade – CL Corrente Socialista dos Trabalhadores – CST Frente de Oposição Socialista – FOS Grupo de Ação Socialista – GAS Luta Socialista – LS Movimento Esquerda Socialista – MES

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A Hydro promove barbárie em Barcarena

São gravíssimos os fatos que ocorrem em Barcarena, ao lado de Belém, capital do Pará. Não é de hoje que a região sofre com os grandes projetos instalados em Vila do Conde, no município de Barcarena, às margens de um dos mais fantásticos ecossistemas do planeta: a baía do Rio Pará ou do Marajó.
Desde quando o então governador Jader Barbalho (PMDB) se vendeu para os japoneses interessados nos incentivos dados pelos militares para que indústrias neocolonizassem a Amazônia. Vieram os grandes projetos mineros siderúrgicos. Indústria pesadíssima. Verdadeiros dragões encravados no coração da floresta e de seus rios e lagos. Para que o mega parque de alumina e alumínio pudesse existir ao largo de um destruidor mega porto, era necessário fazer energia. Por isso o show de horrores e corrupção que está aí: usina hidrelétrica de Tucuruí. Uma das três maiores do mundo. E Barcarena abrigou o maior complexo industrial da Amazônia Legal. Explorando e adoecendo seu povo, poluindo tudo, matando tudo.
Hoje a Albrás/Alunorte está sob o controle da multinacional norueguesa Nosrk Hydro e a Hydro patrocina mais do que diz sua propaganda fajuta na TV com o A-HA. No olho da pororoca estão as populações tradicionais. Tal qual a canadense Belo Sun (com os dentes prontos para rapinar o ouro do Xingu), que patrocina a violência e o abuso às liberdades constitucionais, ao passo de invadirem um seminário na Universidade Federal do Pará (UFPA), agredindo a renomada Prof. Dra. Rosa Acevedo Marin, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) desta instituição, a Hydro e tantas outras empresas não se milidram quanto a prática de crimes.
Para isso contam com as elites locais, os governos e seu aparato repressor.
É o que várias comunidades vem denunciando há tempos. Mas agora as coisas ficaram muito mais evidentes. As multinacionais já não conseguem comprar todo mubdo. Como também já não conseguem mais calar a voz do povo indignado São mais de 60 comunidades tradicionais que sofrem de forma direta os impactos da forma criminosa como estas indústrias vem desenvolvendo suas atividades na Vila do Conde e região.
É o que veremos na matéria abaixo do renomado repórter Carlos Mendes publicada em seu blog Ver-O-Fato. É preciso denunciar e lutar contra esses abusos. O governador Jatene, o secretário de segurança pública, o comando da Polícia Militar do Estado do Pará e a Hydro serão responsabilizados se algo vier a ocorrer contra a vida e dignidade das liderenças comunitárias de Barcarena.

LÍDER COMUNITÁRIA QUE DENUNCIOU HYDRO FAZ OCORRÊNCIA DE INVASÃO DE DOMICÍLIO CONTRA CAPITÃO DA PM E 5 MILITARES

por Carlos Mendes

A líder comunitária de Burajuba, em Barcarena, Maria do Socorro Costa da Silva, há tempos está jurada de morte por forças poderosas que atuam naquele município, hoje transformado em lixeira de empresas multinacionais.

Ne véspera do Natal, sem qualquer ordem judicial, a casa de Socorro foi invadida por policiais militares comandados pelo capitão Gama e um soldado identificado por José, além de outros 4 militares. Eles alegaram, para entrar no domicílio sem o consentimento dos proprietários, violando a Constituição Federal, que estavam à procura de um indivíduo não identificado.

 Segundo boletim de ocorrência registrado na Corregedoria da Polícia Militar por Socorro Silva, os militares interrogaram os moradores sobre os pertences da casa, acusando-os de ter muitas coisas. Socorro não estava na residência na hora da invasão.

Ha cerca de 15 dias, Socorro e o líder comunitário Bosco de Oliveira estiveram no programa "Linha de Tiro", ao vivo, transmitido habitualmente toda quinta-feira à noite pelo Facebook e na página do Ver-o-Fato, denunciando a empresa norueguesa Hydro por crimes ambientais. Eles também já fizeram outras denúncias pela imprensa contra grandes grupos multinacionais, como Bunge e Imerys, por poluição de rios, igarapés e matas da região.

"Já tive minha casa invadida por seis vezes e até hoje sofro ameaças de morte", afirmou Socorro. Por outro lado, Bosco Oliveira também já foi vítima de atentado a bala e invasão de domicílio e tem sido alvo de "armações" de policiais que a todo custo tentam incriminá-lo, sem provas.

 Proteção e denúncia

 O advogado Ismael Moraes, defensor das 60 comunidades de Barcarena, informou ao Ver-o-Fato que, baseado no BO feito por Socorro Silva à corregedoria da PM irá solicitar garantias de vida para ela e para Bosco Oliveira, denunciando a invasão de domicílio à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e à Promotoria Militar para que sejam tomadas providências.

De acordo com Moraes, a responsabilidade pelas perseguições aos líderes comunitários é do governo Simão Jatene, que nada tem feito para apurar os crimes denunciados pelas entidades e movimentos sociais de Barcarena. Nota do blogue: o Ver-o-Fato não conseguiu falar com os militares citados no BO de dona Socorro Silva, mas abre espaço para que eles se defendam e apresentem suas versões dos fatos acima publicados, já objeto de investigação pela Corregedoria da PM.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Tem um filme por trás da foto


por Marcus Benedito 

Uma imagem. Milhões de interpretações e palavras. Mas o assombro maior é porque é um garotinho preto. E os assombrados já têm um estereótipo montado. Pretinho, sem camisa. No frio do mar gelado. Abobalhado ao mirar os fogos. Pobre, lascado. É o que pensaram. No outro plano, os de branco. Curtindo a virada. Aperentemente ignoram o menino. Importando-se mais com suas autoimagens, autoretratos, festa entre amigos. 
O fato é que, infelizmente, a maioria que não nutre qualquer carinho ou preocupação para com os meninos pretos, que vestem berbudão, andam descalços, sem camisa, se viu de alguma forma nesta foto do Lucas Landau. Que aliás, disse não ter lucrado um centavo com ela. Pelo menos “até encontrar o menino e/ou seus pais”. Mas o mais importante que tudo isso é a cotidiana constatação de que a pobreza existe. A violência cotidiana existe. 
Na virada do ano, em Belém, foram executados por bandidos num carro preto, pelo menos 5 meninos. 5 adolescentes. Precisa dizer a cor do tom de pele deles? Pretos. De famílias humildes. Bairros periféricos. Uma verdadeira guerra aos pobres. Genocídio da juventude negra. Motivo de campanha permanente da Anistia Internacional com o tema “Queremos nossos jovens negros vivos!”. 
Enquanto filas se formam na Flórida (EUA) para comprar maconha para fins recreativos, um estrondoso avanço contra a falida “guerra às drogas”, o Brasil detém uma das maiores populações carcerárias do planeta. Mais de 600 mil pessoas. Fruto da perniciosa Nova Lei de Drogas sanciona por Lula da Silva em 2004. Mais de 40% se quer foi julgado. Maioria esmagadora acusado de tráfico de maconha. Nos depósitos desumanos chamados prisões país afora. Maioria jovens. Precisa dizer o tom da cor da pele deles. Quase todos pretos. Pobres. Sem defensores públicos, tampouco advogados. Distantes das vistas do Conselho Nacional de Justiça. Todo mundo sabe que essa barbárie existe. Mas nos órgãos competentes e principalmente nos governos e parlamentos quase ninguém faz nada. E a crise se grava. 
Explodem nas ruas e rebelioes em penitenciárias superlotadas país afora. Jovens, réus primários. Pegos com quase nada de birra. Juntos a mestres do crime organizado. Combinação explosiva. Tragédia pura. O fato, novamente, é que tudo isso comprova que os meninos pretos, de bermudão, sem camisa, descalços e de estômago vazio existem aos milhões neste país. Vulneráveis a todo tipo de aliciamentos e perigos. Principalmente do tráfico, exploração e abuso sexual. 
Segundo o IBGE, em recente pesquisa divulgada, são 54 milhões de pessoas que vivem com menos de R$ 340 por mês. 54 milhões de brasileiros vivendo na miséria absoluta. Precisa dizer a cor do tom da pele deles? Maioria esmagadora de pretos e pardos. Nas ruas, sem carinho, sem atenção. Torço para que este maravilhado garotinho na foto não esteja nesta condição. Mas tem uma grande chance de estar. Ainda mais ali em Copacabana. Rodeada de comunidades de gente trabalhadora, honesta, pobre e preta. 
A foto do Landau foi muito além da imagem. Mexeu com os indivíduos. Como o próprio disse: possibilitará “várias interpretações”. Muitas legítimas. Outras carregadas de hipocrisia. Principalmente quando partem de veículos de comunicação e pessoas racistas, preconceituosas com a classe trabalhadora e que fecham o vidro do carro quando um menino de bermudão, pretinho e descalço vai vender uma balinha ou pedir algum trocado. E nós seguimos com um filme de terror diário para ser vencido. O filme da discriminação, desemprego, violência e tortura, que atingem, principalmente, o povo preto e pobre. 
Por isso nos cabe arregaçar as mangas e ir à luta contra esse regime apodrecido, governado por corruptos, num sistema excludente. Seis brasileiros controlam a metade das riquezas deste país. Precisa dizer a cor do tom da pele deles? Todos brancos. Magnatas. Com suas coberturas. Lá de cima, assistindo a todo esse panavoeiro. Resolutos. Pouco se lixando para os mais de 13 milhões de desempregados deste país. Para os 12 mil que perderam o emprego só em novembro/2017 devido a contrarreforma Trabalhista. Só pensam em seus lucros e dividendos. 
Meia dúzia de bilhardários responsáveis pela legião de homens e mulheres sobrevivendo na indigência e subemprego. Romper essa lógica é o caminho para ver além da foto. E o #ForaTemer e a greve geral não poderão ser meros coadjuvantes nesse roteiro. São condições fundamentais para nos livrarmos desse regime apodrecido e melhor acompanhar e proteger os milhões de meninos e meninas pret@s, que não tiveram a condição de terem suas vidas possivelmente mudadas, fruto de uma fotografia polêmica na última passagem de ano. 
***

Marcus Benedito é servidor público no Pará e militante da CST/PSOL. Publicado originalmente no site da CST/PSOL.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Ghouta de esperança

Um print da destruição promovida por Assad contra o povo de Ghouta
"Hoje começou uma operação de resgate de 29 pessoas em estado crítico em Ghouta, após vários meses de negativas do governo Assad. O genocida Assad mantém, desde 2013, o cerco a cidade de Ghouta, próximo a Damasco, um reduto que ainda é controlado pelos rebeldes. 400 mil pessoas sofrem com este criminoso cerco, os mais afetados são as crianças, onde a desnutrição severa atinge cerca 12% das crianças menores de 5 anos. Assad prefere destruir a Síria e o povo sírio a entregar o poder. A Síria tem que ser livre e justa, sem as patas de Assad, Estado Islâmico, Putin, Trump, de países imperialistas e dos governos árabes capachos. Pela autodeterminação nacional ao povo curdo!"
(Taílson Silva, professor de Geografia)

Saiba mais em site de Portugal:

http://pt.euronews.com/2017/12/27/comecou-operacao-de-salvamento-humanitario-na-regiao-de-ghouta-oriental?utm_term=Autofeed&utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1514363733

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O que significa a ocupação de Jerusalém?

por Miguel Lamas – UIT-QI

A ordem de Trump de transferir a embaixada ianque para Jerusalém respalda a pretensão israelense de apropriar-se de toda a cidade histórica, de profunda significação cultural e religiosa, e termina de desmontar a farsa da suposta “paz” baseada nos dois Estados (Israel e Palestina).

No tratado de Oslo de 1992, Yasser Arafat, o histórico dirigente palestino (falecido em 2004, envenenado por serviços de Israel) aceitou a ideia de um futuro Estado palestino localizado nos territórios de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental (os territórios ocupados por Israel em 1967), que representam um conjunto de apenas 22% do território histórico palestino, e de reconhecer Israel em suas fronteiras anteriores a 1967, que ocupavam 78% da Palestina histórica. Um ponto importante desse acordo foi que Palestina conservaria a metade oriental de Jerusalém. Grande parte do povo palestino aceitou esse acordo, ainda perdendo muito, com a esperança de que por fim haveria paz. Porém o acordo foi uma armadilha.

Israel, com apoio imperialista, jamais aceitou na prática nenhum direito palestino a um Estado próprio, nem sequer nesses pequenos territórios. Colonizou Gaza e Cisjordânia com 400.000 colonos sionistas, ocupando as melhores terras e ficando com 95% das fontes de água e se adonou também da maior parte de Jerusalém Oriental. Ergueu um muro que está cercando os territórios habitados por 3 milhões de palestinos removendo-lhes 48% do escassos territórios que lhes sobrava, que está em sua maior parte ocupado militarmente por Israel.

Como se isso já não bastasse, periodicamente Israel lhes destrói suas fontes de água, arrancam suas oliveiras, base de sua economia agrícola, e bombardeia centrais elétricas e universidades. Em vários oportunidades bombardeou a pequena Faixa de Gaza e a submeteu a um bloqueio durante anos, afundando sua população no desemprego e na fome. Hoje já há outros 6 milhões de palestinos com seus filhos, netos e bisnetos refugiados em diversos países do Oriente Médio.
***
Traduzido por Lucas Andrade – CST-PSOL

sábado, 23 de dezembro de 2017

rio o riso


homem-peixe
homem-água
não mate a mata
seu moço
O rio Acará
O riso do menino
Guerreiro. mensageiro
Nem o estado fez
Menino fez
Mensagem de paz
Viva o rio
Viva o riso
Viva o menino!

foto e texto: marcus benedito

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Havia uma formiga no meio do caminho

por Eduardo Protázio

A caminho da Biblioteca pública, ainda na parada de ônibus, sob um sol de rachar a cuca, percebi que algo não andava bem. Para além do calor e o desconforto em suar desenfreadamente, assim melando e pregando o tecido da roupa na pele - o que seria normal, ou não, vide o já aparecimento do famoso “inverno amazônico” amenizando as temperaturas equatoriais -, algo estava distinto.
Outras sete, ou oito pessoas aguardavam seu transporte. Os borracheiros trabalhavam comumente à ilharga da via. Talvez a apreensão por carregar na bolsa um computador portátil e o temor do surrupio, já que assalto pras bandas dali têm sido constantes. Mas ainda não era isso. O tempo passa lento, arrastado. O sol e o calor certamente atrasam o relógio e a gente pena ainda mais. A espera do Tamoios, em pé, notei que havia uma formiga em mim. Exatamente. Uma formiga, dessas meio engrandecidas, grande o bastante para os parâmetros formigueiros, própria da família Formicidae e vinda do não-tão-distante reino Animália, e pertencente à ordem Hymenoptera.
Era isso que tirava a naturalidade do espaço-tempo. Mas sim, como pudera?!, justo em mim!? Não pude vê-la na hora, mas a senti. Caminhava com suas seis perninhas. Subia, descia. Prum lado, pra outro. Em meu ombro. Não, no braço. Pra lá e pra cá passeava o inóspito inseto. Noutro instante, após sacudir a camisa para enxotá-la de mim, a vi caminhando no interior da roupa, trepada em busca de uma saída, eu acho. Foi então que, para o meu espanto maior: tratava-se de uma cortadeira. Meio avermelhada, meio marrom. Agora não lembro bem, mas se confundia com o tom têxtil. No momento imediato tentei agarrá-la de maneira sutil, com um par de dedos no intuito de apenas lançá-la ao vento. Imaginei ter feito isso e logrado ao obejtivo.
Depois de um tempo breve subo no coletivo. Meio estabanado com um monte de bregueço nas mãos: bolsa, carteira, telefone móvel. Pago a passagem, ultrapasso a roleta, busco um bom lugar longe do sol. Troco de assento e me aquieto. Lendo Padura, curtos minutos depois, sinto a pequenina rival novamente caminhar em minhas entranhas. Passara pelo sovaco até se agarrar no tecido da vestimenta outra vez. Parece que sabia ter sido localizada. Sinto o seu passear e num instante prendo-a entre indicador e polegar.
Ainda em misericórdia, poupo a sua vida como antes. Solto-a e espano a camiseta com fervor. Uma simpática senhora, da outra fileira de assentos, me olha espantada. Devo ter estremecido a calmaria daquela viagem, mas o tremor da situação me exigia ações bruscas e, uma tensão maior me fazia voltar a suar descompassadamente. Não sentindo mais o pequeno ser, pensei: “deve ter saído, caído, morrido… sei lá”. Segui a leitura com Leonardo. Viagem que segue.
Em meio ao engarrafamento, na esquina das Mercês com a Almirante Barroso, o sol passara pro meu lado. Sentia-me incomodado. Tráfego parado. Aquele canto é fogo depois de uma da tarde. Foi aí que a miserável, brevemente esquecida, tornou a se mostrar. O trânsito anda. Para novamente. “Olha a água, caralho!!!!”, gritam da rua. Um vendedor pede pra subir. O motora nega. Ela me morde. Tensão. “Bora, água e refri!! Água e refri!! Água e refri!!”. Bem nas costas. Um pouco abaixo do ombro direito. Sujeitinha covarde. Indivíduazinha mais sem escrúpulos. Poderia, a partir daí, a minha vida entrar em um lento processo terminal. Seria um tiro letal? Lógico, com uma abocanhada do mal dessas.
Começo, então, inevitavelmente, a travar uma batalha mortal por minha vida e a tranquilidade que sonhara em ter numa simples ida à biblioteca. Era preciso arrancar aquelas duas pequena garras de minha carne rapidamente, antes que a gangrena chegasse. Senti a sua mordida voraz e de pronto a agarrei com força, muita força, que pode-se ouvir a quilômetros longínquos (só eu escutei, na verdade) o estalar de sua estrutura artrópode. Não tive dó, nem piedade. Esqueci da compaixão e sequer me passou pela cabeça o ditame do quinto mandamento de que fala um manuscrito religioso. Foi com tudo.
Durante uns seis, sete segundos a amassei, para vingar o que acabara de fazer. Atacar alguém por trás não é legal, não é leal e diz muito sobre o caráter de alguém. Logo vi que não caberíamos mais os dois no mundo. “Ou ela, ou eu”, pensava. Esmaguei-a rapidamente. Sacudi a roupa para lançá-la à própria sorte e cair no chão quente e metálico da condução. Pude, assim, trazer um pouco de paz à tensão que impunha o longo momento de convívio com a minúscula adversária.
Um tempo depois, ainda cogitando ser possível a vida da formiga não ter sido abalada fatalmente, pensava no que acabara de acometer: um homicídio violento a um ser que, de conjunto, nos faz bem. Mas não ali. A situação a qual me sujeitara. Naquele momento não havia como pensar na vida do planeta, no ecossistema e o equilíbrio que cada ser, mesmo os mais pequenos, produzem à natureza. Não posso descrever agora em que as formigas nos são úteis ou aliadas, mas, “aliás, nós podemos dizer que são nossas amigas.”, dizia um artigo da Fiocruz.
A saga rumo à Biblioteca seguia e um leve incômodo com o pós-mordida também. Uma coceira suave. Logo imaginava o pior: “E se aquela maldita me infectar?! Posso morrer aqui… mas assim?!, por uma mísera formiga!?. Afinal, já ouvi falar de graves infecções causadas por picada de formiga… umas que levaram até a internações hospitalares”.
Desci do ônibus e no passo apressado, quase corria para chegar o quanto antes ao banheiro da Biblioteca. Lá eu poderia tirar a camiseta e finalmente liquidar a vil formiga. Isso se a desgraçada se atrevesse a seguir em vida. Se por acaso ainda estivesse presa à roupa, e pior, viva e relutante contra seu fim, trataria de jogá-la dentro do vaso sanitário, esperaria um tempo para vê-la penar, se afogando e tentando alcançar a beira da privada para fugir da água. Assim que se aproximasse de sua esperança desesperadora, apertaria o gatilho e a água em forma de uma mini tsunami trataria de levá-la ao seu fim.
Que se vá e morra no inferno das formigas, amparada pela rainha-de-fogo, uma pixixica maior. Agonize eternamente pelo mal que fez em vida na Terra. Mas, infelizmente, para sanar a minha perversa gana, isto não procedeu. Tirei a camisa. Avistei com atenção e cuidado. Não encontrei a dita. Abanei o vestido com força. Queria ter a certeza de não mais ver o sórdido inseto novamente. Procurei em outras partes do traje. Calça, sapato. Nada. Vesti e arrumei-me às vestes. Tornei-me calmo. Busquei um assento para me acomodar e seguir com Padura. O pior havia passado. Era só uma formiga.
***

Eduardo Protázio escreve crônicas e poesias. É estudante de letras e dirigente do PSOL/PA.

FASUBRA - Manifesto de militantes, ativistas e dirigentes grevistas



Base grevista se rebela contra a direção da FASUBRA Unificar quem se manifestou contra o desmonte! Dia 10/11 começou a greve dos servidores técnico-administrativos das universidades. Uma reação diante dos ataques de Temer ao funcionalismo: PL 116 das demissões, reformas da Previdência e trabalhista, ameaça à carreira, aumento da alíquota do PSS, a EC 95 que congelou os investimentos, além da corrupção. O exemplo da UERJ, com ameaça de fechamento e privatização, levou a categoria à certeza que não tinha outra saída.

Mesmo sem os demais Servidores Públicos Federais (SPFs) na greve, e com sucessivas traições das centrais, os servidores atingiram 40 universidades paralisadas e realizaram uma marcha a Brasília. Um forte piquete no Ministério do Planejamento que obrigou o secretário e Rodrigo Maia a receber a FASUBRA e demais entidades. Este processo oxigenou a greve e mostrou que era possível fazer o governo recuar. O governo em crise política podia ser derrotado e derrubado.

Por isso, a categoria participou ativamente das manifestações do dia 5/12 mesmo com o desmonte da direção da CUT e Força Sindical. No entanto, esta disposição de luta precisou se contrapor à política da direção majoritária na FASUBRA. A direção era contra a greve e fez tudo para acabar com o movimento na plenária nacional de setembro, a direção majoritária mostrou que seu único intuito era unicamente adiar o congresso da FASUBRA. Utilizou “um calendário de luta” que não foi organizado. Já na plenária de 22/10, convocada para deflagrar a greve, a maioria da direção propôs apenas “estado de greve”.

Na direção da FASUBRA, apenas o COMBATE propôs greve imediata, e a força das assembleias obrigou o recuo da direção, que teve de marcar greve para 10/11. Apenas a DS-PT foi contra a greve na plenária. Porém, mesmo com a decisão da plenária, a maioria da direção atuou na base para evitar a greve, com discursos derrotistas ou ameaças de corte de ponto. Algumas entidades sequer entraram na greve. Outras demoravam semanas pra fazer assembleia. Para derrotar esse movimento contra a greve, foi decisiva a assembleia da UFRJ, cuja base passou por cima da direção lulista recentemente eleita no SINTUFRJ e decidiu entrar em greve, fortalecendo o movimento que cresceu até atingir as 40 bases.

Desde o início houve especulações sobre o “fim da greve” até que no dia 05/12 ele foi decretado: enquanto as bases realizavam piquetes e passeatas como parte do dia nacional de luta contra a reforma da previdência, a direção da FASUBRA passou o dia inteiro confabulando o fim da greve, aprovando essa linha no CNG. O desmonte da FASUBRA se encaixava na traição das centrais (CUT, Força, UGT). Na reunião do CNG, a delegação da UFRJ liderou a oposição juntamente com a delegação do SINTUFF, encaminhando contra o desmonte.

A categoria se manifestou contra a traição e manteve a greve Revoltada contra o inexplicável desmonte da greve, as assembleias de base foram desacatando a ordem do CNG. O CLG e a Assembleia da UFRJ foram os primeiros. No mesmo sentido se posicionou o SINTUFF e a Assembleia da UFF, bem como UFRRJ, UNIRIO, UFRGS, UFAM, UFPA, UnB, UFBA, UFU, UFMG, totalizando 31 universidades contra a orientação da direção. Apenas 8 suspenderam a greve. A direção manobrou os dados e não queria divulgar os resultados, numa atitude burocrática.

A pá de cal, que selou a derrota da direção, foi a emblemática Assembleia da UnB, onde estavam os dirigentes da FASUBRA (incluindo dois coordenadores gerais) e do sindicato (da gestão anterior e da que recém começava). A categoria decidiu manter a greve. Mesmo assim, no dia 15/12, num CNG convocado às pressas, a maioria da direção desconsiderou as assembleias de base e decretou novamente o fim da greve. E simplesmente extinguiu o CNG no mesmo dia. Na ocasião novamente os ativistas da UFRJ, do SINTUFF e da UnB foram contrários ao desmonte.

O Manifesto pela Continuidade da Greve agrupou os ativistas classistas Diante de tamanho recuo na cúpula da Federação, a greve tende a terminar antes do recesso parlamentar. Infelizmente os setores da esquerda, com os quais montamos uma chapa no último congresso, foram a parte mais ativa desse desmonte. Os companheiros do SONHAR E LUTAR, coletivo impulsionado pelo MAIS, foram as lideranças desse recuo em parceria com os lulistas. Na greve de 2016, essa direção majoritária da FASUBRA, já havia errado ao acabar com a greve antes da votação da PEC 55.

Fica evidente que não são capazes de encaminhar as lutas da categoria. Em contraponto a essa linha, surgiu um MANIFESTO pela manutenção da greve, agrupando militantes da UFRJ, UFF, Unirio, UFRRJ, UFPA, UFRA, UFRGS, UFAL, UFRPE, UFPE, UFAM, UFU, UnB, a direção do SINTUFF e o COMBATE. É preciso que cada uma das 31 assembleias de base se manifestem e ajudem a construir uma nova direção democrática, classista e combativa para nossa Federação. E nesse sentido temos que organizar os descontentes que se rebelaram nas assembleias e se agruparam ao redor do MANIFESTO pela continuidade da greve, realizando reuniões e produzindo um novo manifesto.

Temos que organizar um movimento alternativo, de oposição de esquerda, na FASUBRA. Exigir plenária nacional da FASUBRA na primeira quinzena de janeiro! Junto aos representantes do CNG e dos CLG's que não se curvaram, da Assembleia da UFRJ, Unirio e UFF propomos rejeitar o desmonte e desacatar a orientação de retorno ao trabalho no dia 19/12. Com a UFRJ propomos seguir a greve até dia 22 (último dia antes do recesso parlamentar) e, diante do desmonte exigimos uma plenária nacional da FASUBRA nos dias 13 e 14/01 para realizar um balanço da greve e organizar a luta por nossas pautas e contra a reforma da previdência em 2018.

A proposta de plenária da FASUBRA no início de janeiro já foi aprovada na UFRJ, UFF, Unirio e UFU. Assim podemos reagrupar as 31 assembléia de base e os lutadores para as novas batalhas.

Manifeste-se você também!

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sábado, 2 de dezembro de 2017

Duciomar preso. Até quando?

Imagens da prisão de Duciomar Costa (PTB), ex senador e ex prefeito de Belém. Fonte: facebook
Duciomar é um "artista". Mas acima de tudo, um bandido. Eu não duvido nada que ele tenha deixado uma cadeira de rodas de bobeira na casa, já esperando essa hora. Mas não uma qualquer. Uma motorizada. Se Duciomar realmente está doente, impossível ter pena dele. Ele é um bandido. Não duvide nada e nem se compadeça com alguém que chega no limbro de falsificar um diploma de médico. Dr. Dudu. Oftalmologista. Se fez na Barão. Tinha clínica e tudo. Adorava "abrir os olhos do povo". 

De Tracuateua pro Guamá, Duciomar Costa se fez com a pena alternativa decretada pelo juízo da Vara de Execuções Penais, há época, da Região Metropolitana de Belém. Comprou um "bonde". Oferecia de graça. Geralmente do citado bairro para o Ver-O-Peso. Passagem de graça pra todo mundo. O povo? Ah o povo... Esse é lindo, generoso e honesto. Mas que homem bom! Fama de dr. Dudu foi esquecida. Agora era Associação Comunitária Duciomar Costa. Ônibus pra galera da perifa. Não era muito. Mas era melhor que nada, diziam. Toma-te! Mais votado em 1992 para a Câmara de Vereadores de Belém. 

Aliou-se ao "Papudinho", prefeito dos "meus amigos da capital", e antes, quando governador, "e do interior". Duciomar e o "tarado por Docas". Poderia ter melhor professor? Aliás, mestre. Apesar de Dudu já ser doutor. De trambicagem. Daí em diante foi só vitórias. Um dos primeiros na eleição seguinte. Se reelegendo deputado estadual em 1998. Só perdeu em 2000. Segundo turno, quando Edmilson Rodrigues se reelege prefeito. 

Ganha, já como senador, contra a petista Ana júlia Carepa, a prefeitura da mais populosa cidade do Norte do país. Oito anos de catástrofe. Belém afundou. Os prontos socorros eram calamidade pública. Escolas caindo aos pedaços. Funcionalismo de luto. Dudu foi responsável por centenas de mortes. Crime de responsabilidade. Um assassino. 

Agora, vendo ele naquela cadeira de rodas, um farsante, ladrão de mais de 400 milhões de reais dos cofres públicos municipais, a gente até torceria para que fosse verdade. Que ele estivesse fumado de saúde. Mas como disse, para quem falsificou diploma de médico, um laudo falso nem coça. Ele já poderia ter premeditado pra enrolar a justiça. Quem mora no Greenville, tem advogado caro que fica sabendo antes da polícia, que seu cliente vai ver o sol nascer quadrado. 

Infelizmente Duciomar, se cadeirante de verdade, podre de rico tanto roubar, nunca sofrerá as agruras de viver na cidade pela qual nada fez, muito menos pela acessibilidade de portadores de necessidades especiais. Aliado do tucanato na assembleia, líder do governo Lula no Senado, Dudu entregou a prefeitura para alguém pior que ele, o tucano Zenaldo Coutinho. 

A História de Belém é uma história de catástrofes. Salvo hiato (de 1997 a 2000), o povo da "Metrópole da Amazônia" penou e pena como nunca. Esses 400 milhões fizeram falta. Ninguém duvide que seja apenas a ponta do iceberg. Parece que Dudu está em seu quarto mandato. Ninguém até hoje assitiu mudança alguma. Pelo contrário, a cidade piorou. Regrediu. A gente torce para que ele morra na cadeia. E que não tarde para que o atual alcaide, tão criminoso quanto, seja logo seu colega no presídio de segurança máxima.

Centrais sindicais traíram a luta contra Temer é a Reforma da Previdência

Burocracias sindicais desmarcam Greve Geral sem consulta às bases. Vamos manter os atos e as mobilizações contra Temer e seus capachos do Congresso!


Muito antes de saber que o projeto de Reforma da Previdência não seria votado ainda este ano, as principais centrais sindicais já trabalhavam para desmontar ou ao menos debilitar a necessária greve geral marcada para dia 05/12. Nas duas semanas prévias, nada fizeram para colocar os trabalhadores em pé de guerra contra o desprestigiado e ilegítimo governo Temer.

Utilizaram esse tempo, não para percorrer as portas de fábricas fazendo assembleias, distribuindo panfletos e discutindo com os trabalhadores a melhor forma de garantir a paralisação, mas para se reunir com os políticos corruptos do Congresso negociando a vigência do imposto sindical e alguma outra migalha para poder mostrar como cartas de triunfo. É o mesmo que fizeram em 30 de junho. A eventual postergação da votação da reforma previdenciária não pode ser pretexto para desmontar a mobilização. Primeiro porque não é seguro que não seja votada ainda neste ano, na calada da noite, como fizeram com outros projetos impopulares. Mas também porque os trabalhadores estão sofrendo todo tipo de ataques, como a reforma trabalhista, a lei das terceirizações, a EC 95/2016, a PEC 181 contra os direitos das mulheres, o desemprego, os baixos salários. Além demais, era a melhor forma de unificar todas as lutas que estão acontecendo.

Os burocratas sindicais não querem a greve geral, não faz parte do seu arsenal de guerra. Só marcam pela pressão das bases que são as que de verdade querem derrubar este governo corrupto. Esse marca e desmarca é criminoso porque acaba banalizando uma medida fundamental para defender nossos direitos, gerando descrédito e ceticismo frente a novas convocações.

É o que vem acontecendo desde a vitoriosa greve de 28 de abril e a combativa marcha a Brasília com mais de 150 mil trabalhadores onde a classe mostrou sua força e disposição de luta. A burocracia tomou um susto, já que privilegia a negociação e não a ação. Por isso boicotaram os atos unificados e sumiram durante as votações das denúncias contra Temer na Câmara. Negociam imposto sindical, como vimos nas reuniões das direções da Força, UGT e CTB com Temer em Brasília. Ou tem como prioridade defender e eleger Lula em 2018, como é o caso da direção petista da CUT.

Essa burocracia sindical é parte de um grande acordo nacional, com o executivo, o legislativo, o STF, PMDB, PSDB e PT visando manter Temer na presidência, salvar Aécio, manter impune Lula e demais políticos corruptos. Por isso sua prioridade não é a defesa inquebrantável dos interesses dos trabalhadores, mas as negociações que lhe garantam benesses para se manter em seus cargos indefinidamente. Sem dúvida esse é o maior problema que os trabalhadores possuem: as direções majoritárias do movimento estão traindo nossas lutas. E é por isso que esse governo em crise e com baixa popularidade e esse congresso sem qualquer moral ainda tem capacidade de aprovar medidas que retiram direitos.

Porém, e apesar desses dirigentes traidores, a classe trabalhadora continua lutando. Exemplo disso são os educadores do Rio Grande do Sul que estão em greve há mais de três meses contra o corrupto governo Sartori, do PMDB. Assim como os trabalhadores da saúde do Rio de Janeiro que, com paralisações e mobilizações, obrigaram o governo Crivella a sentar para discutir os problemas da categoria. Os trabalhadores do Supermercado Mundial, numa rebelião histórica, estão lutando por seus direitos, contra a aplicação da reforma trabalhista. Os metalúrgicos da Cherry no Vale de Paraíba, após de 30 dias de greve, impediram a aplicação da reforma trabalhista nessa fábrica. A poderosa greve da FASUBRA já conta com a adesão de 39 universidades, em defesa da carreira, contra as MPs e PL que atacam os servidores e pelo Fora Temer! Esses processos de luta nos demonstram que não é momento de esmorecer. Não é a atitude pelega das direções majoritárias o que determina a ação e sim a necessidade de derrotar os ataques do governo Temer e sua quadrilha do Congresso. Temos que tomar as lutas em nossas mãos e passar por cima das direções traidoras. É necessário que a CSP-Conlutas, a Intersindical, os comandos de greve, as correntes e sindicatos combativos e os sindicatos de base e federações dessas centrais pelegas, que não foram consultadas, assumam essa tarefa para garantir atos e manifestações de protestos no dia 5 de dezembro. Essas organizações têm que se propor a unificar as lutas em curso e rodear de solidariedade todas aquelas que surjam ao calor deste enfrentamento contra o governo e os patrões. Nesse processo será possível o surgimento de uma nova direção. Para tanto achamos necessária a convocatória de plenárias regionais para organizar as atividades do dia 5 e que depois confluam numa grande plenária nacional de trabalhadores para organizar a luta contra as brutais medidas de ajuste do governo e pelo Fora Temer!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Pesquisadores que estudam impactos da mineradora Belo Sun denunciam intimidação

Estudantes e professores universitários fizeram denúncia ao MPF depois de tentarem apresentar resultados de pesquisa na UFPA e serem impedidos por prefeito favorável à mineradora

por ASCOM-MPF

Um grupo de pesquisadores apresentou denúncias de intimidação e ameaças ontem ao Ministério Público Federal (MPF) em Belém, depois de terem sido, segundo os relatos, impedidos de apresentar resultados de pesquisa no evento Veias Abertas da Volta Grande do Xingu, que ocorreria dentro do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. As denúncias foram apresentadas ao procurador regional dos Direitos do Cidadão, Felipe Moura Palha.

 Os pesquisadores, acompanhados de ativistas e moradores da região da Volta Grande do Xingu, relataram que o evento acadêmico foi interrompido antes mesmo de começar, com a chegada do prefeito de Senador José Porfírio, Dirceu Biancardi (PSDB), acompanhado de um grupo de cerca de 40 pessoas, trazidas por ele de ônibus até Belém, vindos do município que fica às margens do rio Xingu, no oeste do Pará.

O prefeito se posicionou em defesa da empresa canadense Belo Sun, que planeja instalar a maior mineração de ouro do país na região. Se dizendo favorável ao empreendimento, o prefeito, de acordo com os relatos dos estudantes e professores presentes ao evento, liderou palavras de ordem contra organizações não-governamentais e teria incitado a violência contra os participantes, impedindo que as pesquisas que tratavam dos impactos de Belo Sun fossem discutidas.

A professora Rosa Acevedo Marin, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA, que coordenava o evento, resolveu encerrá-lo diante da falta de condições, mas foi agredida e obrigada a ficar no local. Pessoas ligadas ao prefeito empurraram a professora e fecharam as portas do recinto, impedindo a saída de todos. A professora registrou boletim de ocorrência na Polícia Federal. A defensora pública do estado do Pará, Andrea Barreto, que também participaria do evento acadêmico, relatou que tentou contornar a situação apresentando seus questionamentos jurídicos ao empreendimento da Belo Sun, mas o prefeito sentou-se à mesa e tomou a palavra, em defesa da empresa.

Posteriormente, o deputado estadual Fernando Coimbra (PSD) chegou no auditório do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, onde ocorria o debate, e sentou à mesa em apoio ao prefeito Dirceu Biancardi e à mineradora canadense. Tensão na Volta Grande - No relato que fizeram ao MPF, os pesquisadores também informaram que a tensão na região da Volta Grande está crescendo, por conta dos problemas fundiários relacionados ao empreendimento da Belo Sun e pela postura do prefeito.

Na semana passada, em 23 de novembro, os pesquisadores haviam tentado apresentar o estudo sobre o impacto da mineradora no município de Senador José Porfírio, ao lado de integrantes do Movimento Xingu Vivo para Sempre e também foram intimidados pelo prefeito. “Houve ameaças aos integrantes do Xingu Vivo tanto na UFPA quanto no Xingu. Ameaçaram diretamente a dona Antônia Melo”, informaram os denunciantes. Antônia Melo é a principal liderança do Movimento Xingu Vivo e recentemente recebeu um prêmio internacional pelo seu trabalho em defesa dos atingidos por Belo Monte e Belo Sun.

O advogado da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Marco Apolo Santana Leão, apresentou um documento denunciando o que ocorreu em Senador José Porfírio no dia 23 de novembro. “Foi um desrespeito com a universidade e com os pesquisadores. A UFPA foi impedida de cumprir com a sua função social que é pesquisar e apresentar o resultado de suas pesquisas à sociedade, e o mais grave é que isso ocorreu dentro do próprio campus universitário”, relatou uma das denunciantes.

Os nomes das pessoas que fizeram os relatos serão mantidos no anonimato por segurança. Muitos se dizem ameaçados e uma das providências que o MPF vai tomar é verificar a necessidade de providenciar proteção a pessoas ameaçadas na região do Xingu. Investigação - O MPF abriu procedimentos de investigação, tanto para apurar o que ocorreu na UFPA quanto para garantir a segurança das pessoas que se sentiram ameaçadas nos eventos recentes.

O MPF já tem dois processos judiciais contra a mineradora Belo Sun e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) por irregularidades no licenciamento da mineradora. Atualmente, a licença da instalação concedida pelo governo do Pará à empresa canadense está suspensa por ordem do Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1).

Cercado de acusações de irregularidades fundiárias e ambientais, o empreendimento da Belo Sun foi objeto de um estudo realizado pela ong Repórter Brasil, que seria lançado em Senador José Porfírio e em Belém, justamente nos eventos interrompidos pelo prefeito Dirceu Biancardi. O estudo também foi entregue ao MPF para análise.

Fonte: Ministério Público Federal no Pará

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Não era história de pescador


O Lord Byron existe, assim como o Peter Pan, Príncipe Aladin e tantos outros iates regionais, que em Ponta de Pedras, no Arquipélago do Marajó, têm esses nomes interessantes. Quem haveria de pensar que um caboclo marajoara, gente das ilhas, poderia conhecer Lord Byron?
Oras se não! Dessas bandas já saiu caudalosa poesia das artes.
Chama atenção como pronunciam o nome do barco. Simples como se lê: Lord Birôn.

Foi a vez que fomos fazer campanha de prevenção e combate ao escalpelamento e hepatites virais nesse município, depois de ter passado por Muaná, São Sebastião da Boa Vista, Curralinho, Breves, não necessariamente nesta ordem. O fato é que, campanha encerrada, precisávamos voltar pra casa.

Só que não é todo dia que tem barco ou navio de linha que faz Belém x Ponta de Pedras x Belém. E agora? Tem que haver uma saída, pensei.
Saí com um casal de colegas do trabalho a perguntar pelas alternativas.
Não é possível que a gente esteja literalmente ilhado.
A maioria das pessoas deram uma luz. Ufaa! Brilho nos olhos. Viva! Tem uma alternativa...

O Peter, o Lord, outros nomes que não recordo. Barcos que transportam todos os dias centenas e centenas de paneiros de açaí dessa reigião para a Feira do Açaí do Complexo do Ver-O-Peso em Belém.
Problema! Aaaah... Tinha que convencer uma dessas embarcações a ti permitir viajar.

Ou não tinham visto para tal ou estavam, geralmente, com a lotação completa. Bastava vir uns parentes, que já era. Parecia que teríamos mesmo que ficar mais um dia no querido Marajó. Pra quem lê assim, parece até frescura, mas não é pra quem já está fora do seu aconchego por cerca de 30 dias.

Amo passear. Mas passeio é diferente de trabalho. No trabalho você até se diverte. Mas nunca relaxa. Por isso nada melhor do que chegar na tua cama, colo de família, amigos, luta de classes. Relaxar.
Mas eis que perdido um iate, dado de cara na negativa em outros dois, um quarto aceitou cobrar e nos levar de volta para casa. Uhuuu!!!

Mais duas paradas para mais açaí. Furos lindos, que desembocam no rio principal que banha a cidade. Enfim Baía. Tem uma estátua fincada nas pedras. Muitas pontas. Expostas. Ponta de Pedras. Lugar de água, terra, bicho, vegetal e gente. De quem sabe que navegar é preciso. Realmente a baía não é pra qualquer um. Este povo resiste a tudo.

Foi aí que mil e quinhentas pessoas, segundo o repórter Carlos Mendes em matéria para a Agência Estado dia 12 de setembro de 1999, tacaram fogo no prédio da prefeitura e da câmara municipal. Tudo porque a população se revoltou com o prefeito, José de Nazaré Chiappetta (na época PFL, atual DEM). Foi notícia nacional a inédita cassação de um título de médico pelo Conselho Regional de Medicina no Pará. Além de ser acusado de desviar mais de R$ 2 Milhões dos cofres municipais, pesava contra ele sua ausência constante do município e o grave fato ser preso, após investigação do Ministério Público do Estado, pelo crime de deixar centenas de mulheres estéreis. Mais desgraçadamente ainda: troca de votos. Fazia laqueadura de trompas e abortos clandestinos em um açougue de sua propriedade em Belém, que a imprensa e o próprio chamavam de clínica.

Mas isso é outra História. Falávamos do encantamento, alegria, medo, sabor e desabor que é precisar navegar por essa magnífica região de campos e várzea do Marajó.

Quando chegamos no barco, chamou atenção uma máquina de bater açaí. Firme. Quem não gosta?! Quando vi toda aquela amarração nela, tive noção do que nos aguardava. Maresia. E a baía do rio Pará ou do Marajó, que em Abaetetuba ganha outro nome, tem hora do dia que está muito agitada. Não deu em outra. Haja maresia... Vento... Água espirrando de todos os lados... Olhei lá pra dentro, meus colegas estavam deitados em uns bancos de madeira. O banzeiro dá esses enjoos em quem não tem costume. É como aqueles brinquedos do Centro Ita. Só que num balanço de três, quatro longas horas... Depende da maré. Do vento. Maresia.

Por incrível que pareça, o gingado foi maior ainda. Outra baía. A do Guajará. Eu gosto.
Já se via as luzes da cidade. Por volta de sete e pouco da noite atracamos na Feira.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Valeu, Vidoca! A morte bela de uma Árvore

Minha vovó Raimunda Lopes Ferreira, mais conhecida como Vidoca, se foi hoje (01/11/2017). Morte natural. Serena, como as águas do rio Maúba, lugar que fundou, junto ao vovô Pedro, comunidade de mesmo nome.

Com 104 anos, Vidoca amou e viveu na vida. Abaetetubense mais antiga, por ocasião de seus 100 anos, até o Papa enviou-lhe cumprimentos e um terço de lembrança. Foi uma verdadeira Festa na Assembleia. Dançou como se fosse seu último baile. Ainda que mais quatro primaveras lhe abraçariam.

Profunda conhecedora da terra, cultivava com zelo suas plantinhas e ervas. Tinha planta pra tudo o quanto era doença do corpo, e segundo dizem, da alma. De todo canto de Abaeté aparecia gente para pedir, em nome de uma avó qualquer, uma ervinha.
"Quem é tua vó, meu filho?", ela indagava.
O pequenozinho dizia algum nome.
Por mais que ela não recordasse a dona da viagem, entregava o planta de bom grado. Parecia que seu pagamento era o fato de ela ser lembrada por pessoas dos quatro cantos do lugar.

Ainda ontem, quando mamãe tomava sua benção e se despedia para voltar a Belém, ela segurou com todas as forças suas mãos e beijou de forma repetida. Se tinha uma coisa que Vidoca fazia com maestria era retribuir o carinho que recebia.

Quando penso nela, me vem a memória sua casa na Vila Bexó. Quintal grande. Aroma de flores em tudo. Apesar de que sua vida não começou como um mar de rosas. Cearense de nascimento, perdeu sua mãe ainda no parto. Trazida no tempo dos Soldados da Borracha para o Pará, foi criada pela madrinha, a quem coube lhe passar, enfim, amor, alfabetização e carinho.

Benzedeira, fumentadora de mãos abençoadas, militava no Apostolado da Oração. Coração generoso, foi ela quem me concedeu o apelido de "Coração". Tudo porque, gordinho, um vizinho queria me chamar de "Bobó de Boi". "Bobó não, vizinho! Se tem bobó, também tem coração!" E assim ficou.

Árvore, para ela a gente foi galho, folha, fruto. Cada qual com seu apelido e forma. Fiquei sendo para sempre seu Neto de Vó ou Pão da Nini. E era assim. Vidoca era a especialidade em pessoa. Talvez essa seja a última grande reunião desse batalhão chamado família. Estou encontrando parente que talvez nunca mais veria. Mais um ato de grandeza dessa guerreira, que teve o superlativo como marca. Desde os tempos da abundância de toneladas de maparás na feitoria do sítio na "casa grande". Das lenhas para assar o peixe. Do amontoado de paneiro. Até seu descanso final no Cristo Redentor, casa da tia Tóia, filha mais nova, que também cuidou dela, literalmente, até seu último suspiro. No dia de todos os santos.

sábado, 28 de outubro de 2017

Uma prosa sobre Manaus

por Marcus Benedito

Cheiro de pipoca. Fila pra entrar no Teatro. Sino da igreja de São Sebastião. No boteco, lá embaixo, o cara canta em inglês. Entre aqui e lá, fileiras de bancos de praça. Conservados. Tudo ocupado. Crianças. Responsáveis. Casais de jovens. Crianças.

Tem até uma obra de arte em forma de bola que elas adoram se pendurar. Tipo globo da morte. Pequenozinhos ainda bem gititos. Nem falam como a gente, mas seus buan, buãns, correndo, apontando, famoso toquinho de amarrar onça, sabe conquistar. Quem não chora?... Ora senão...

Gente pra lá e prá cá. De todo tipo e qualidade. Da desqualidade, por exemplo, de Amazonino. Ele é 12. Partido de Ciro, o Gomes. Slogan desse velho safado era "Ama" acompanhado de um coração. Só se for a sujeirada. A roubalheira. A sacanagem. Tá explicado.

O bom é que a gente daqui, o povo mesmo, esse tem cor de chuva. Ainda que o vento esteja parado. Sensação de breado. A tal da cara de pupunha. O cheiro da pipoca... Minérios delas. Lá embaixo e em cima. Perto da fila do Teatro Amazonas. Que aumentou. Curioso por saber quem se apresenta aqui. Mas a vista quer apreender tudo. Nos encanta o não visto. O desconhecido.

O bom é que aqui quase não tem esses horrorosos espigões que arranham o meio ambiente, estressando a gente, atravancando a paisagem. Aqui tem um mundo cercado de água. Tem também gente de todo o mundo. É gringo pra todo lado. Hotéis sempre ocupados. Gente bonita e feia. Como em qualquer canto. Mas pessoas que gostam de viver a poesia. Da dor, olor, sofrimento. Se vive com certa calma. Até pras ondas mais bravas. Mas uma hora esse rio, de raivas, como o Teatro, vira Amazonas. Pororoca de energia e mudança. De vida que se renova. Rebenta lá pras bandas do Amapá com Pará.

Como diria Chico de Holanda, enchente amazônica. Explosão atlântica. E com uma hora adiantado.